"O Agente Secreto", sem o Oscar, se firma entre os melhores
- 15 de mar.
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Atualizado: 16 de mar.
A premiação do Oscar, na noite deste domingo (15), deixou de fora o filme brasileiro "O Agente Secreto", que concorria a quatro categorias, mas, apesar desse resultado, já esperado por vários críticos e cinéfilos, serviu para reforçar a presença do cinema brasileiro no mercado internacional de produções mais esmeradas do ponto de vista estético e não apenas comercial.
O grande vencedor foi "Uma Batalha Após a Outra", que conquistou seis prêmios, entre eles Melhor Filme e Melhor Direção, para Paul Thomas Anderson, premiado pela primeira vez pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, em Los Angeles.
O filme de Kleber Mendonça Filho, com a brilhante atuação de Wagner Moura e de toda a equipe, reforça a necessidade de a história do Brasil ser recontada a fim de provocar um despertamento, especialmente junto ao público mais jovem.

O filme brasileiro foi desbancando pelo norueguês "Valor Sentimental" na categoria Melhor Filme Internacional. Já Wagner Moura perdeu o prêmio de Melhor Ator para Michael B. Jordan, que venceu pela atuação em Pecadores, um terror com crítica social sobre a imposição da cultura da supremacia branca sobre os negros.
O brasileiro Adolpho Veloso, que concorreu na categoria Melhor Fotografia pelo filme "Sonhos de Trem", perdeu para Autumn Durald Arkapaw, de "Uma Batalha Após a Outra", primeira mulher a vencer nesta categoria.
O diretor brasileiro Kleber Mendonça Filho se manifestou nas redes sociais
após a cerimônia, em uma mensagem curta, porém simbólica, agradecendo o apoio recebido do público brasileiro ao longo da campanha do filme. Mesmo sem vitórias, a presença brasileira no Oscar 2026 foi significativa. "O Agente Secreto" figurou entre os concorrentes a Melhor Filme, uma das categorias mais disputadas da premiação, ao lado de produções de grande repercussão internacional.
Embora nenhuma das indicações tenha se convertido em vitória, a participação brasileira reforça o espaço conquistado pelo cinema nacional no circuito internacional e mantém a expectativa para os próximos projetos de cineastas como Kleber Mendonça Filho.
Visibilidade
A premiação do Oscar gera uma reflexão sobre o que é mais importante: o cinema comercial, que resulta em maior visibilidade internacional, ou o que valoriza a arte, a diversidade e, por consequência, acaba influenciando roteiristas, diretores, atores e atrizes, considerando que a arte chegou primeiro e segue ditando formas de pensar para o ser humano encarar a vida com o pensamento crítico. Deixar de aceitar as coisas passivamente impostas pela classe dominante e estabelecer um debate. Em se tratando de cinema, quais os mais importantes, entre dois dos maiores eventos do cinema: o Festival de Cannes com sua Palma de Ouro ou o Oscar?
Para os brasileiros em geral é o Oscar, que alcança maior destaque na mídia e, também em decorrência da “invasão” do cinema feito nos EUA, meio pelo qual foi imposto um sentimento de aceitação na maioria do povo brasileiro da superioridade dos gringos, cujas produções transformaram bandidos em heróis, marcaram os povos originários com os Apaches, Cherokee, Sioux, hoje praticamente exterminados, os latinos – e russos, na Guerra Fria, islâmicos, como traficantes, mafiosos, agentes do diabo, que deveriam ser dizimados, e exaltaram a figura do herói belicista, explorador e imperialista.
Não se pretende, com essa afirmativa, negar a existência de um bom cinema nos EUA, país com excelentes produções, atores, atrizes, diretores e grandes roteiristas. No entanto, a regra geral é a exaltação do “americano”, como se autointitulam, com larga aceitação da maioria dos americanos dos outros países do continente. Na realidade, todos os nascido no continente são americanos. Mas aí entra em cena a Doutrina Monroe, estabelecida em 1823 com o lema "A América para os americanos". Com Donald Trump, essa palavra de ordem vale para ditar a hegemonia estadunidense nessa parte do planeta.



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