top of page
COLUNAS
O problema é quem sobrevive com o mínimo
Marcelo Rossoni Quem ganha mais de R$ 100 mil por mês — essa “espécie rara” que costuma viver em coberturas com vista para o mar ou manter casa na praia ou nas montanhas — conseguiu um feito retórico notável: convencer quem recebe cerca de R$ 10 mil de que o grande vilão nacional é quem sobrevive com o salário mínimo. Parece enredo de ficção científica. Mas é realidade. O argumento é simples, repetido com convicção técnica: o país não cresce porque “há muita gente pesando na
3 min de leitura
Presidiário em campanha
Álvaro Silva Quantos presos no Brasil podem dispor de mais de 70 metros quadrados para usufruir deles durante sua estada na prisão (veja na foto)? Quantos têm assistência médica total 24 horas? Quantos recebem todo santo dia a comidinha especial feita em casa? Quantos dispõem de ambulância à porta para encaminhamento ao hospital no caso de necessidade? Quantos podem fazer seguidos pedidos de prisão domiciliar humanitária quase todo dia depois de terem tentado romper tornozele
3 min de leitura
Vitória militar, derrota política
Lino Resende Os Estados Unidos podem até vencer mais uma guerra no Oriente Médio, tomando o sentido estritamente militar. Os sinais iniciais, no entanto, indicam que, se a vitória ocorrer, pode trazer o peso de uma derrota estratégica, econômica e política. A história da participação dos EUA nas guerras do Vietnã e Iraque dá indicação do que pode ocorrer no campo político. Os efeitos da guerra, como já ocorreu no Vietnã e no Iraque, se prolongam na economia, na diplomacia e,
5 min de leitura
Caso de identidade
Álvaro Silva Quando eu era pequeno, ia muito a cinema, coisa que faço até hoje. Num deles então existente da Avenida Lins de Vasconcelos, no Cambuci em São Paulo, gostava de ver os filmes de bangbang, que eram muitos e passavam todos os dias. Ficava triste porque os índios perdiam todas as batalhas, até que um dia papai me disse: "É da cultura deles, filho. O índio e o assaltante de bancos são os bandidos dos filmes". Então entendi porque a maioria se identificava tanto com a
3 min de leitura
Incômodo que Maria da Conceição deixou
Marcelo Rossoni Há economistas que explicam o mundo como quem faz uma conta de dividir. E há os que, mesmo diante de planilhas e gráficos, ainda lembram que gente não cabe em colunas. Maria da Conceição Tavares pertencia à segunda categoria, a mais rara — e a menos valorizada — do ofício. Morreu, mas não descansou. Suas ideias seguem perambulando por aí, perturbando os vivos, lembrando que economia não é aritmética: é escolha moral. Há anos, quando apareceu no Roda Viva, pare
3 min de leitura
Uma mudança de era
Lino Resende A Wired, publicação focada em novas tecnologias e em seus usos, acaba de lançar uma edição inteira dedicada à China. Ao percorrer os diversos tópicos abordados, a revista faz uma provocação direta e desconfortável para aqueles que, no Ocidente, observam o país à distância e acompanham o que ocorre na geopolítica mundial, sobretudo a partir da nova presidência de Donald Trump. A provocação é clara: o século chinês não é uma promessa futura — ele já começou. Ao f
4 min de leitura
A Justiça e o Estado de Direito
Álvaro Silva O Supremo Tribunal Federal (STF) tornou-se alvo preferido dos ataques mais solertes da extrema direita política do Brasil, e não por suas falhas e erros que evidentemente existem, e muitos, mas sim por seus méritos inequívocos, sobretudo e principalmente na defesa intransigente da democracia brasileira. Isso o extremismo brasileiro não aceita de forma alguma. Para eles, muito melhor do que o Estado Democrático e de Direito é ver porta-aviões dos Estados Unidos no
3 min de leitura
O teto invisível
Marcelo Rossoni O teto constitucional é uma dessas ideias que funcionam melhor como conceito do que como regra. Está lá, escrito com solenidade, invocado em discursos oficiais e lembrado sempre que convém pedir sacrifícios à sociedade. Na prática, em diversas situações, perde eficácia — respeitado na teoria, contornado na rotina e relativizado quando entra em conflito com interesses corporativos ou administrativos. No Brasil real, o teto nem sempre limita. Orienta a criativid
4 min de leitura
O discurso do fascismo
Lino Resende O fascismo quase nunca se apresenta com esse nome. Não chega anunciando ditadura, censura ou violência explícita. Ao contrário, costuma surgir embalado em palavras simples, frases de efeito, imagens impactantes e promessas vagas de ordem e grandeza. Por isso, compreender o discurso fascista — mais do que seus símbolos históricos — é essencial para reconhecer como ele ressurge em momentos de tensão e polarização política, como o que vivemos hoje. Walter Benjamin f
4 min de leitura
Ancestralidade afro tomou conta do Sambão do Povo
Marcelo Martins A avenida, quando se abre, não é só asfalto. É terreiro, livro aberto, colo de vó contando história com o corpo inteiro. O desfile das escolas de samba capixabas tem sido assim. Um ritual de memória que dança, canta e ensina. Ano após ano, cresce não só em brilho e acabamento, mas em densidade de alma. E quando o espírito vem da ancestralidade, o samba ganha outra pulsação. Um gosto de gás da alegria que não é fuga, é afirmação civilizatória. Veio a “Rosa de O
3 min de leitura
O silêncio protege o crime
Álvaro Silva O silêncio sempre protegeu a desfaçatez no Brasil. Hoje, como antes e provavelmente como será amanhã, o Congresso Nacional usa a arma - ou seria um artifício? - do silêncio para ocultar suas intenções que quase nunca são claras. Assim foi aprovado um aumento para os servidores do Legislativo que em muito ultrapassa o razoável. E o das pessoas "comuns". Assim deve ser sepultada a ideia de uma CPMI para investigar o caso do Banco Master, cujas consequências podem n
2 min de leitura
Estou ficando só
Marcelo Rossoni De uns tempos para cá, meus aniversários ficaram mais silenciosos do que festivos. Não porque eu tenha virado um eremita rabugento, mas porque a matemática começou a ficar indiscreta demais. Faltando pouco para completar 80 anos, descobri que tenho muito mais passado do que futuro, o que não é exatamente uma revelação filosófica, mas ganha um peso especial quando a agenda do celular vira uma espécie de obituário interativo. Os amigos andam partindo antes do co
5 min de leitura
Tempos cruéis e os insensatos
Álvaro Silva "Chegou a época dos predadores", diz Giuliano Da Empoli sobre os tempos mais recentes, esses que se vive depois do retorno de Donald Trump à Casa Branca. Hoje, para os novos fascistas não existe mais multilateralismo, organizações supranacionais - como a ONU -, nada disso. Vale a lei do mais forte, a daquele que pode enviar uma determinação da Casa Branca ao mar e destinar a determinado território do mundo um dos porta-aviões nucleares que os Estados Unidos possu
3 min de leitura
No mangue dum avô fascista!
Marcelo Martins Na minha família, a história não veio limpa, alinhada ou heroica. Veio torta, como quase tudo que é humano. Veio com contradições, silêncios e um barracão improvisado no meio de um mangue urbano. Digo isso com total tranquilidade. Meu avô, pai de minha mãe, de minhas tias e um tio, foi funcionário público do Ministério da Saúde, em tempos de Getúlio Vargas, quando o mundo ardia na Segunda Grande Guerra. Em Vitória, no coração da cidade, ele trabalhava defenden
3 min de leitura
Trump, a volta ao passado
Lino Resende A tentativa de desfazer o multilateralismo que marcou o período pós-Guerra Fria ganhou forma concreta durante a presidência de Donald Trump entre 2017 e 2021. Não foi apenas um discurso. Houve atos mensuráveis: a saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris sobre o clima, a imposição de tarifas comerciais em larga escala, o enfraquecimento deliberado da Organização Mundial do Comércio e a revisão de padrões ambientais e industriais, especialmente no setor automoti
3 min de leitura
Uma ONU para Trump?
Álvaro Silva Imagino que deva estar sendo muito difícil para o atual governo brasileiro responder ao "convite" dos Estados Unidos de fazer parte do tal Conselho da Paz que, na verdade, é a destruição da ONU pelo presidente Donald Trump e sua substituição por um fantoche sob sua única e exclusiva guarda e em atendimento a projetos dele em sociedade com o sionismo de Israel. É uma ONU só de Trump! Na prática, a paz defendida por esse mandatário psicopata pode ser vista na foto
3 min de leitura
Anauê pelo Brasil
Marcelo Rossoni A história brasileira é pródiga em ironias. Algumas involuntárias, outras cultivadas, poucas tão persistentes quanto o reaparecimento de palavras antigas travestidas de novidade. “Anauê” é uma delas. Nascida nas línguas Tupi-Guarani como saudação fraterna — “você é meu irmão”, “meu parente” —, a expressão carrega uma ideia de pertencimento que antecede o Estado, a ideologia e o palanque. Ainda assim, foi justamente a política que decidiu capturá-la, distorcê-l
3 min de leitura
"Pede pra cagar e sai..."
Marcelo Martins Quando estava de olho, na paquera de dona patroa, Junia Lyrio, tinha um concorrente vizinho dela, chegado na família, em particular com minha futura sogra, a saudosa dona Arlita, que o admirava cheio de elogios ao rapaz. Calvo, barbinha bem feita, e futuro engenheiro. Fiquei ensimesmado. Metidabundo, com se diz lá no nordeste baiano de alta cultura. Com ciúmes mesmo. Ele tinha o sobrenome Dias – não vou revelar o primeiro nome por reserva ética – mas passei a
2 min de leitura
Esperança 26
Kleber Frizzera Todo objeto amado é o centro de um paraíso Novalis Em Sandman, uma novela em quadrinhos, criação de Neil Gaiman, Morpheus, um dos perpétuos, o rei e senhor dos sonhos, invade os infernos para recuperar o seu elmo que tinha sido roubado e é obrigado a participar de uma luta com um dos demônios. Neste embate, alternadamente, cada um faz um lance, assumindo, uma forma defensiva ou ofensiva, um animal, um vírus, uma luta que o demônio tenta vencer, no final, assum
2 min de leitura
O cinema de ouro
Álvaro Silva Por dois anos seguidos o cinema brasileiro faz sucesso nas edições do Globo de Ouro, nos Estados Unidos. E a segunda delas foi neste domingo (11), com duas vitórias de "O agente secreto", uma com o diretor Cléber Mendonça Filho e outra com o ator Wargner Moura (foto). Ambas muito merecidas, e isso depois de Fernanda Torres ganhar igual prêmio com "Ainda estou aqui" no ano passado. Os prêmios fizeram nosso cinema de ouro. Naquele filme Fernanda Montenegro faz uma
3 min de leitura
Morrer com dignidade
Marcelo Martins O Brasil trata a morte como tabu e o sofrimento como obrigação moral. Discutimos o fim da vida em sussurros, como se a dor fosse virtude e a dignidade, pecado. Mas a pergunta é simples: por que alguém é obrigado a sofrer até o último segundo? Defender a morte consentida e assistida não é promover a morte, mas respeitar a vontade de quem já não tem vida, apenas prolongamento artificial da dor. Países considerados modernos já permitem esse direito sob critérios
1 min de leitura
Diplomacia à moda antiga
Álvaro Silva As imagens que o mundo já tem e que mostram o ataque dos Estados Unidos à Venezuela, fato ocorrido nesta madrugada (três fotos ao lado e abaixo), apresentam ao mundo um escárnio. O Direito Internacional violado, o respeito a Organização das Nações Unidas (ONU) jogado no lixo e, pela primeira vez na América Latina, um sequestro de chefe de Estado em sua Capital feito na surdina, na madrugada, enquanto a maioria das pessoas dormiam esperando pelo dia de sábado, o t
3 min de leitura
Nilo Peçanha, o esquecido
Marcelo Rossoni Dizem que a história oficial adora vitrines bem polidas, aquelas em que heróis aparecem brancos, brilhantes e convenientemente fotografados. Já os personagens que não cabem neste enquadramento acabam empurrados para as prateleiras de baixo, onde o pó faz companhia ao silêncio. Nilo Procópio Peçanha, presidente do Brasil entre 1909 e 1910, tem sido um desses casos: um homem de origem humilde, negro, e carreira política sólida que, por algum capricho ou conveniê
3 min de leitura
bottom of page