Obras de Nice, a pintora do cacau, em exposição no MAES
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O Museu de Arte do Espírito Santo (MAES), apresenta a exposição “Nice Contemporânea”, em exibição nesta terça-feira (12) até 2 de agosto. A proposta é uma revisão crítica e atualizada da produção da artista capixaba Nice Nascimento Avanza, reposicionando sua obra para além das classificações históricas que a associaram ao chamado “primitivismo” ou à arte naïf.

A exposição apresenta obras de Nice Avanza e dos artistas Amanda Chabudé, Dejair Paulo Da Silva, Fayra Moreira, Fernando Augusto, Fredone Fone, Ione Reis, Luciano Feijão, Meuri Ribeiro, Paulo Fernandes e Renato Ren.
“Nice Contemporânea” é realizada por meio do edital “Diálogo com o Acervo – MAES”, realizado com recursos do Fundo de Cultura do Estado do Espírito Santo (Funcultura), por meio do MAES e da Secretária da Cultura (Secult), com apoio da Galeria Homero Massena (GHM) e da Galeria de Arte Espaço Universitário (GAEU/Ufes).
Desenvolvido pelo MAES desde 2022, o projeto marca também o retorno da artista ao Museu 26 anos, após a realização da exposição “Nice Retrospectiva”, em 2000, organizada por ocasião de seu falecimento. Agora, sua produção é revisitada a partir de uma perspectiva contemporânea, que busca ampliar os sentidos e as possibilidades de leitura de seu legado.
Nice Avanza é reconhecida como uma das principais artistas pictóricas do Espírito Santo. Mulher negra e autodidata — desenvolveu uma trajetória consistente entre as décadas de 1960 e 1990, com circulação nacional e internacional. Conhecida como “a artista do cacau”, sua obra se destaca pela força cromática e pela construção de imagens vibrantes, marcadas por temas ligados ao cultivo, à terra e à experiência vivida. Ao longo de sua carreira, viveu da arte e construiu um repertório expressivo que, hoje, demanda novas leituras, desvinculadas das interpretações que historicamente acompanharam sua recepção crítica.
“Nice Contemporânea” surge, assim, como um exercício de reinterpretação. Ao observar o conjunto de sua produção no contexto atual, a exposição desloca o olhar do espectador para além da ideia de uma pintura “ingênua”, evidenciando a potência estética, política e simbólica de sua obra. O cacau, recorrente em suas telas, deixa de ser apenas um elemento temático e passa a operar como signo complexo, atravessado por histórias de trabalho, território e identidade.



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