O menino no chão
- 9 de ago.
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Atualizado: há 6 dias
Roberta M. Junquilho
Hoje, Dia dos Pais, andando apressada para ver meu pai, tive que voltar três passos para ver o menino no chão .
É, eu sei, tem muitos meninos pelos chãos do nosso Pais , infelizmente .

Me inclinei para saber se estava respirando e, por um instante, pensei em acordar o menino.
Esse menino estava deitado , a cabeça e metade do corpo na calçada. a outra metade na rua, em cima de um bueiro .
O sol estava forte, passava do meio dia. As pernas pretas e franzinas do menino que, no máximo, tem 10 anos de vida pegava a maior incidência solar.
Lembrei do caso de uma amiga, cujo irmão dormiu na areia da praia e perdeu parte dos movimentos das pernas.
Pensei em acordar o menino e dizer: “menino, vai pra sua casa.
Qual é o telefone dos seus pais, vou ligar pra eles. “
Hesitei, porque não sei se o menino tem pai. Ou mãe. Ou avó , avô…
O menino parecia sonhar, deitado no chão, o braço direito por cima da cabeça . Tão vulnerável , pequeno, sozinho.
Vai que sonhava com uma cama quentinha e uma mesa farta com sua família.
Vai que o menino tava sonhando jogando bola, na escola!
Pensei que o menino sonhava porque respirava e quase sorria.
Continuei meu caminho certa que ligaria para as pessoas que socorrem meninos e meninas no chão… (no caso , a prefeitura 156)
“Olha, meu nome é Roberta e hoje eu vi um menino no chão . Uma criança , No máximo 10 anos, magro, preto, bermuda tactel e camisa d malha. Limpo, parecia dormir ou passou mal e caiu.
Quando cheguei perto, ele respirava normalmente. “
Resposta: uma criança ??? está bem senhora, vou registrar a ocorrência e pedir o envio de uma equipe no local. Qual endereço, etc….
Mas a Sra deve ligar tbm para o número tal e se eles disserem que não tem com agir ligue para o número ….”
Meu Deus, é um menino.
O número do protocolo a Sra quer anotar? Respondi: “não obrigada, o importante é que venha alguém socorrê-lo. “
Está bem Sra, algo mais que eu possa fazer?
Várias coisas, quis dizer , mas me contive.
Porque cada um reage de uma forma . Faz o que pode, na medida do possível.
Hoje eu fiz o que pude.
E, para minha alegria, na volta pra casa, passei pela mesma calçada e o menino não estava mais lá!
Aí eu que sonhei com a vida que desejo para ele e todos como ele.
Vai, menino, conquistar seus sonhos . Que ninguém te impeça, maltrate, torture.
Que você tenha as mesmas oportunidades e direitos que garantem nossa Constituição.
Deus te abençoe e a todos os meninos e meninas abandonados sobre a Terra.
Que sejam cuidados, amados, respeitados e incentivados a serem humanos melhores, através dos exemplos.
Em homenagem a Gustavo, (In memorian) 3 anos, barbaramente torturado e morto pelo pai e madrasta).
Roberta M. Junquilho é corretora de imóveis e cronista do cotidiano



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