PF pede investigação sobre conversa entre Casagrande e juiz preso
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Atualizado: há 3 dias

A Polícia Federal (PF) pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) que determine a abertura de inquérito no Superior Tribunal de Justiça (STJ) contra o governador Renato Casagrande (PSB) devido a mensagens de WhatsApp trocadas com o desembargador Macário Júdice. Conforme relatório da PF, nas conversas, haveria indícios de suposta troca de favores entre o chefe do Executivo estadual e o magistrado. O governador nega qualquer irregularidade e considera a conversa "republicana e institucional".
No celular do desembargador Macário Judice, preso pela Polícia Federal no fim do ano passado na esteira do caso TH Joias, os investigadores encontraram mensagens de WhatsApp do governador Casagrande com "ajustes potencialmente criminosos".
A notícia, divulgada nesta sexta-feira (27) pela coluna Radar, da revista Veja, aponta que o Macário, que está preso no Rio de Janeiro desde 16 de dezembro do ano passado, por suspeita de obstrução de investigação, teria vazado informações sigilosas sobre a Operação Zargun, que prendeu o então deputado estadual do Rio de Janeiro TH Jóias, que seria ligado ao Comando Vermelho, em setembro do ano passado.
Conversas extraídas do celular do desembargador mostrariam que Casagrande teria pedido rapidez, atenção e carinho num processo judicial que envolvia o então prefeito de Montanha, André Sampaio (PSB), aliado do governador. De acordo com a matéria, no celular do desembargador Macário Judice, preso pela Polícia Federal no fim do ano passado na esteira do caso TH Joias, os investigadores encontraram mensagens de WhatsApp do governador do Espírito ... para troca, ainda segundo a corporação, da cessão de um servidor efetivo do Estado para o gabinete do magistrado.

O documento da PF ainda registra que, após o pedido de análise do processo, o desembargador teria retornado a mensagem para Casagrande dizendo que a situação estaria resolvida. Meses mais tarde, teria sido a vez de Macário pedir a ajuda de Casagrande para ceder um policial penal ao gabinete dele no TRF-2, o
que teria sido feito.
A Polícia Federal viu indícios de "um ambiente de reciprocidade e possível troca de favores potencialmente criminosos", segundo a representação que foi encaminhada ao ministro Alexandre de Moraes, relator do caso de Macário no STF . O pedido é para que o ministro determine a instauração de inquérito no Superior Tribunal de Justiça (STJ) para a apuração dos crimes de corrupção passiva, corrupção ativa e advocacia administrativa.
Casagrande nega ilegalidades e afirma que não houve troca de favores. "Não tenho nenhuma preocupação com relação a isso, porque a minha conversa com o desembargador Macário foi uma conversa republicana, institucional, preocupada com a instabilidade política de um município, pedindo ao Macário que pudesse fazer chegar ao desembargador relator de um processo, ou memorial, para que ele pudesse julgar com mais rapidez possível, para não deixar o município na instabilidade política", diz o governador, em entrevista ao g1ES.
O governador destacou que ainda não foi acionado por qualquer autoridade. "Se for acionado, a explicação será essa. Não tenho nenhuma preocupação com relação ao conteúdo. O conteúdo está no meu celular, tá certo? É um conteúdo que está à disposição de quem quiser, porque é um conteúdo público, não tem nada, não tem nenhum ato irregular que eu tenha cometido".
O processo que envolve André Sampaio refere-se a uma ação de improbidade administrativa, em que o ex-prefeito foi condenado inelegível por supostas irregularidades cometidas durante exercício do cargo de gerente do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Espírito Santo (Ifes) de Nova Venécia. Em 2024, ele tentava autorização judicial para concorrer à reeleição.
Indiciamento
A Polícia Federal indiciou o presidente afastado da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro) Rodrigo Bacellar e o ex-deputado estadual Thiego Raimundo de Oliveira Santos, o TH Joias, com a conclusão das investigações sobre vazamento de informações no Rio de Janeiro.
Foi indiciadas também Flávia Judice, mulher do desembargador federal Macario Judice, Jéssica Santos e Thércio Salgado, ligados a Bacellar e TH Joias.



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