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COLUNAS
Autocracias e autocratas
Álvaro Silva Num artigo recente, chamei Donald Trump de psicopata porque esse era o diagnóstico à distância de ao menos dois psicólogos conhecidos. Fui corrigido por uma leitora que o chama apenas de pessoa muito má, ruim. Talvez ele seja as duas coisas como mostra essa foto acima, onde aparece fazendo sua mais célebre careta debochada. Uma coisa é certa: o atual presidente dos Estados Unidos é um autocrata que se julga dono de certo projeto de autocracia. Mas foi contido pel
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O fator Arnaldinho Borgo
Marcelo Rossoni A sucessão estadual no Espírito Santo ganhou ritmo antes mesmo de o calendário impor esse compasso. A filiação do prefeito de Vila Velha, Arnaldinho Borgo, ao PSDB — legenda que já ocupou o centro do palco nacional e hoje tenta reencontrar protagonismo — deslocou o eixo das conversas políticas no Estado. Não foi apenas uma troca de sigla. Foi um gesto estratégico, calculado para produzir efeitos além das fronteiras do segundo maior colégio eleitoral capixaba.
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Democracia e conservadorismo no Brasil
Lino Resende O Brasil de 2025 aparece nas pesquisas de opinião como um país atravessado por contradições que ajudam a explicar seu comportamento político recente. Os dados revelam um eleitor que afirma apoiar a democracia, mas sustenta posições conservadoras firmes quando o debate se desloca para costumes, punição criminal e valores morais. Não se trata de um fenômeno novo, tampouco incoerente. É um traço recorrente da sociedade brasileira, já descrito em profundidade por Alb
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Exclusividades danosas
Álvaro Silva Vamos admitir que a intenção da Rede Globo de Televisão, ao selecionar imagens que poderiam ou não ir ao ar ontem durante o desfile da Escola de Samba Acadêmicos de Niterói fosse mesmo a de defender a legalidade e zelar pela equidade nas propagandas das eleições de outubro próximo. Nesse caso ela teria que tornar seu "editorial" de abertura da cobertura do carnaval do Rio de Janeiro 2026 uma constante nas atuações que desenvolve, principalmente quando tem a exclu
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Carnaval, democracia e politicagem
Marcelo Martins Quando meus irmãos arrumavam problema doméstico onde não existia, papai dizia que estavam procurando “chifre em cabeça de cavalo”. Tempos depois, adulto, na redação do jornal vi um colega repórter levantar um assunto espinhoso e seu chefe lhe dizer que estava procurando “pelo em ovo”. Fiquei numa dúvida danada, até meio filosófica, qual seria a relação do cavalo com sua crina vistosa e a galinha carijó e suas penas com tonalidades quadriculadas? O desfile da e
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O teto invisível
Marcelo Rossoni O teto constitucional é uma dessas ideias que funcionam melhor como conceito do que como regra. Está lá, escrito com solenidade, invocado em discursos oficiais e lembrado sempre que convém pedir sacrifícios à sociedade. Na prática, em diversas situações, perde eficácia — respeitado na teoria, contornado na rotina e relativizado quando entra em conflito com interesses corporativos ou administrativos. No Brasil real, o teto nem sempre limita. Orienta a criativid
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O discurso do fascismo
Lino Resende O fascismo quase nunca se apresenta com esse nome. Não chega anunciando ditadura, censura ou violência explícita. Ao contrário, costuma surgir embalado em palavras simples, frases de efeito, imagens impactantes e promessas vagas de ordem e grandeza. Por isso, compreender o discurso fascista — mais do que seus símbolos históricos — é essencial para reconhecer como ele ressurge em momentos de tensão e polarização política, como o que vivemos hoje. Walter Benjamin f
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Ancestralidade afro tomou conta do Sambão do Povo
Marcelo Martins A avenida, quando se abre, não é só asfalto. É terreiro, livro aberto, colo de vó contando história com o corpo inteiro. O desfile das escolas de samba capixabas tem sido assim. Um ritual de memória que dança, canta e ensina. Ano após ano, cresce não só em brilho e acabamento, mas em densidade de alma. E quando o espírito vem da ancestralidade, o samba ganha outra pulsação. Um gosto de gás da alegria que não é fuga, é afirmação civilizatória. Veio a “Rosa de O
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O silêncio protege o crime
Álvaro Silva O silêncio sempre protegeu a desfaçatez no Brasil. Hoje, como antes e provavelmente como será amanhã, o Congresso Nacional usa a arma - ou seria um artifício? - do silêncio para ocultar suas intenções que quase nunca são claras. Assim foi aprovado um aumento para os servidores do Legislativo que em muito ultrapassa o razoável. E o das pessoas "comuns". Assim deve ser sepultada a ideia de uma CPMI para investigar o caso do Banco Master, cujas consequências podem n
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Estou ficando só
Marcelo Rossoni De uns tempos para cá, meus aniversários ficaram mais silenciosos do que festivos. Não porque eu tenha virado um eremita rabugento, mas porque a matemática começou a ficar indiscreta demais. Faltando pouco para completar 80 anos, descobri que tenho muito mais passado do que futuro, o que não é exatamente uma revelação filosófica, mas ganha um peso especial quando a agenda do celular vira uma espécie de obituário interativo. Os amigos andam partindo antes do co
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Tempos cruéis e os insensatos
Álvaro Silva "Chegou a época dos predadores", diz Giuliano Da Empoli sobre os tempos mais recentes, esses que se vive depois do retorno de Donald Trump à Casa Branca. Hoje, para os novos fascistas não existe mais multilateralismo, organizações supranacionais - como a ONU -, nada disso. Vale a lei do mais forte, a daquele que pode enviar uma determinação da Casa Branca ao mar e destinar a determinado território do mundo um dos porta-aviões nucleares que os Estados Unidos possu
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No mangue dum avô fascista!
Marcelo Martins Na minha família, a história não veio limpa, alinhada ou heroica. Veio torta, como quase tudo que é humano. Veio com contradições, silêncios e um barracão improvisado no meio de um mangue urbano. Digo isso com total tranquilidade. Meu avô, pai de minha mãe, de minhas tias e um tio, foi funcionário público do Ministério da Saúde, em tempos de Getúlio Vargas, quando o mundo ardia na Segunda Grande Guerra. Em Vitória, no coração da cidade, ele trabalhava defenden
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Trump, a volta ao passado
Lino Resende A tentativa de desfazer o multilateralismo que marcou o período pós-Guerra Fria ganhou forma concreta durante a presidência de Donald Trump entre 2017 e 2021. Não foi apenas um discurso. Houve atos mensuráveis: a saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris sobre o clima, a imposição de tarifas comerciais em larga escala, o enfraquecimento deliberado da Organização Mundial do Comércio e a revisão de padrões ambientais e industriais, especialmente no setor automoti
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Uma ONU para Trump?
Álvaro Silva Imagino que deva estar sendo muito difícil para o atual governo brasileiro responder ao "convite" dos Estados Unidos de fazer parte do tal Conselho da Paz que, na verdade, é a destruição da ONU pelo presidente Donald Trump e sua substituição por um fantoche sob sua única e exclusiva guarda e em atendimento a projetos dele em sociedade com o sionismo de Israel. É uma ONU só de Trump! Na prática, a paz defendida por esse mandatário psicopata pode ser vista na foto
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Anauê pelo Brasil
Marcelo Rossoni A história brasileira é pródiga em ironias. Algumas involuntárias, outras cultivadas, poucas tão persistentes quanto o reaparecimento de palavras antigas travestidas de novidade. “Anauê” é uma delas. Nascida nas línguas Tupi-Guarani como saudação fraterna — “você é meu irmão”, “meu parente” —, a expressão carrega uma ideia de pertencimento que antecede o Estado, a ideologia e o palanque. Ainda assim, foi justamente a política que decidiu capturá-la, distorcê-l
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"Pede pra cagar e sai..."
Marcelo Martins Quando estava de olho, na paquera de dona patroa, Junia Lyrio, tinha um concorrente vizinho dela, chegado na família, em particular com minha futura sogra, a saudosa dona Arlita, que o admirava cheio de elogios ao rapaz. Calvo, barbinha bem feita, e futuro engenheiro. Fiquei ensimesmado. Metidabundo, com se diz lá no nordeste baiano de alta cultura. Com ciúmes mesmo. Ele tinha o sobrenome Dias – não vou revelar o primeiro nome por reserva ética – mas passei a
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Esperança 26
Kleber Frizzera Todo objeto amado é o centro de um paraíso Novalis Em Sandman, uma novela em quadrinhos, criação de Neil Gaiman, Morpheus, um dos perpétuos, o rei e senhor dos sonhos, invade os infernos para recuperar o seu elmo que tinha sido roubado e é obrigado a participar de uma luta com um dos demônios. Neste embate, alternadamente, cada um faz um lance, assumindo, uma forma defensiva ou ofensiva, um animal, um vírus, uma luta que o demônio tenta vencer, no final, assum
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O cinema de ouro
Álvaro Silva Por dois anos seguidos o cinema brasileiro faz sucesso nas edições do Globo de Ouro, nos Estados Unidos. E a segunda delas foi neste domingo (11), com duas vitórias de "O agente secreto", uma com o diretor Cléber Mendonça Filho e outra com o ator Wargner Moura (foto). Ambas muito merecidas, e isso depois de Fernanda Torres ganhar igual prêmio com "Ainda estou aqui" no ano passado. Os prêmios fizeram nosso cinema de ouro. Naquele filme Fernanda Montenegro faz uma
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Morrer com dignidade
Marcelo Martins O Brasil trata a morte como tabu e o sofrimento como obrigação moral. Discutimos o fim da vida em sussurros, como se a dor fosse virtude e a dignidade, pecado. Mas a pergunta é simples: por que alguém é obrigado a sofrer até o último segundo? Defender a morte consentida e assistida não é promover a morte, mas respeitar a vontade de quem já não tem vida, apenas prolongamento artificial da dor. Países considerados modernos já permitem esse direito sob critérios
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Diplomacia à moda antiga
Álvaro Silva As imagens que o mundo já tem e que mostram o ataque dos Estados Unidos à Venezuela, fato ocorrido nesta madrugada (três fotos ao lado e abaixo), apresentam ao mundo um escárnio. O Direito Internacional violado, o respeito a Organização das Nações Unidas (ONU) jogado no lixo e, pela primeira vez na América Latina, um sequestro de chefe de Estado em sua Capital feito na surdina, na madrugada, enquanto a maioria das pessoas dormiam esperando pelo dia de sábado, o t
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Nilo Peçanha, o esquecido
Marcelo Rossoni Dizem que a história oficial adora vitrines bem polidas, aquelas em que heróis aparecem brancos, brilhantes e convenientemente fotografados. Já os personagens que não cabem neste enquadramento acabam empurrados para as prateleiras de baixo, onde o pó faz companhia ao silêncio. Nilo Procópio Peçanha, presidente do Brasil entre 1909 e 1910, tem sido um desses casos: um homem de origem humilde, negro, e carreira política sólida que, por algum capricho ou conveniê
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