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Universal usa sua máquina eleitoral para reforçar o poder

  • há 4 dias
  • 3 min de leitura

Da Redação


Exatamente nesta quinta-feira (13), a 52 dias das eleições, a máquina eleitoral da Igreja Universal do Reino de Deus, liderada pelo milionário empresário bispo Edir Macedo, ativa seus tentáculos, seguindo a linha da teologia do domínio – ou o Cristofascismo, como pontuou o professor e escritor Vitor Cei -, para garantir a vitória de seus candidatos. São bispos, militares, policiais civis ou outros representantes da ala mais conservadora da política, todos ligados ao bolsonarismo e a outros movimentos de extrema direita.


A instituição religiosa lançou uma “jornada de fé”, o “Desafio de Neemias”, para reunir seus fiéis e voluntários e mobilizá-los para a atuação política na atual campanha eleitoral. A prioridade da Universal é eleger na eleição de outubro seus bispos e pastores candidatos a deputado estadual e federal por todo o país.


A campanha segue na linha política lançada no Brasil a partir a partir de 2010 e intensificada nas campanhas eleitorais de 2019 e 2022, com divulgação de perseguição à igreja, inclusive com fechamento dos chamados templos, cura de homossexuais, a tal da cura gay, política de gênero, batalha espiritual e outras interpretações bizarras de textos bíblicos. Ancora-se na exaltação de valores imperialistas adotados como arma política nas igrejas.


A Universal reforça a política do campo conservador internacional, intensificada no governo de Donald Trump, que desde o século XX envolve o meio religioso, deturpando o evangelho e criando milhares de “desingrejados”, no Brasil e na América Latina. O tema é abordado no livro “A fé o medo, armas da sedução fascista”, do editor deste portal, Roberto Junquilho, entre outros trabalhos, em um cenário onde os chamados “pastores de Trump” introduzem nas igrejas temas bíblicos com informações distorcidas, encobertos em seminários, cursos e pregações domingueiras.


O “Desafio de Neemias” é uma campanha inspirada na narrativa bíblica de reconstrução dos muros de Jerusalém, que durou 52 dias. Apesar da capa da religiosidade, o projeto tem como principal objetivo recrutar e doutrinar fiéis e, desse modo, multiplicar os votos dos candidatos apoiados pela instituição na eleição de outubro.


A Universal propõe aos seus seguidores “52 dias de fé, foco e reconstrução espiritual”, iniciando nesta quinta-feira (13). O término será exatamente em 4 de outubro, o dia da votação em primeiro turno.


Os fiéis estão sendo convocados a se inscrever em um site oficial do projeto – desafiodeneemias.com.br . Os pastores têm sido cobrados para cadastrar o maior número de membros e voluntários, e líderes da igreja monitoram quem está trazendo ou não novos adeptos. A Universal determinou, em reunião da cúpula da Igreja no Rio, no dia 4 de agosto, que cada cadastrado seja orientado a arregimentar outras 52 pessoas, segundo o ex-pastor da igreja Davi Vieira.


O número de fiéis e simpatizantes cadastrados que deverão atuar como voluntários na campanha político/religiosa da Universal já chegava a 154 mil até o dia 4 de agosto. Depois dessa data, o site não informou mais o total. Os seguidores terão de cumprir uma tarefa diária, a ser determinada pelos líderes da igreja.


No período até a eleição, os obreiros (auxiliares de pastor), fiéis e simpatizantes receberão diariamente um vídeo com reflexões, além de notícias e orientações de seus líderes espirituais sobre temas de interesse político que fortalecem o discurso religioso conservador. Entre esses temas, estão supostas perseguições a evangélicos por regimes políticos de esquerda e o debate sobre a aprovação de leis que envolvem família, sexualidade e outras pautas morais.


Na campanha da Universal, no espaço destinado às notícias, há textos jornalísticos com títulos como: “Perseguição cresce: 380 milhões de cristãos sob perseguição no mundo”, “Onda de ataques e vandalismo a igrejas preocupa fiéis em várias cidades”, “PL da misoginia gera preocupação no Congresso Nacional”, e “Câmara avança em projetos que isenta sermões e pregações da lei do Racismo”, entre outros. Os seguidores receberão uma tarefa diária, a ser determinada pelos líderes da igreja.


A ideia do “Desafio de Neemias” é incentivar os fiéis a “cercarem a sua fé” e os seus valores, construindo um muro, com “um tijolo por dia”. Como Neemias, que em 52 dias restaurou os muros de Israel que estavam em ruínas e esse marco representou “a independência daquele povo”, de acordo com a Universal.


Teologia do domínio


A teologia do domínio, que prega a dominação do mundo pelo cristianismo ultraconservador, tem animado parte do poder político no Brasil e se manifestado em atos públicos. 


Com origem nos movimentos evangélicos dos Estados Unidos das décadas de 1970 e 1980, o conceito, aplicado à política, gera desafios à democracia, como pôde de visto na tentativa de golpe de Estado de 2022, que explodiu em 8 de janeiro de 2023.

 
 
 

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