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Lula lança campanha na Vila Euclides, onde tudo começou

  • há 10 horas
  • 3 min de leitura

Da Redação


Soberania, prevenção de evasão escolar, aumento de emprego, terras raras, inflação em baixa e inúmeras obras foram dsstacadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no início oficial à sua campanha pela reeleição neste domingo (16) em um local de forte valor simbólico: o Estádio 1º de Maio, na Vila Euclides, em São Bernardo do Campo (SP). O ato, batizado de “Lula: onde tudo começou”, resgata as origens do presidente como líder sindical nos anos 1970 e 1980.


O ato deste domingo ocorre 47 anos depois e marca o início da última campanha eleitoral do presidente, que busca um quarto mandato, algo inédito na história do Brasil.


local é escolhido pelo seu simbolismo na trajetória de Lula: Foi ali que ele, como dirigente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, liderou grandes assembleias durante as greves que marcaram a resistência à ditadura militar e a luta por direitos trabalhistas. Em 1979, um ato convocado por ele reuniu cerca de 60 mil trabalhadores no local, projetando sua imagem nacionalmente.


História


A lembrança da Vila Euclides reforça esse sentido. Lula surgiu politicamente durante uma ditadura que limitava liberdades e reprimia a organização dos trabalhadores. Naquele momento, defender a autonomia sindical e a capacidade de organização popular era também defender a possibilidade de o país construir uma democracia.


Hoje, a ameaça é diferente, mas a questão de fundo permanece: quem decide os destinos do Brasil?


É justamente nesse ponto que a experiência acumulada por Lula será colocada à prova. O candidato que volta à Vila Euclides terá muito a mostrar — e será cobrado por isso.


Terá de apresentar resultados e propostas para a saúde, a educação, o emprego, a indústria, a redução das desigualdades e a soberania tecnológica. Terá de mostrar o que pretende fazer para ampliar a presença das mulheres nos espaços de poder e nas oportunidades econômicas. Terá de explicar como o país pode transformar suas riquezas naturais em desenvolvimento, emprego e capacidade produtiva em meio à tarefa de regeneração inegociável dos diversos biomas ameaçados.


A recente descoberta de petróleo na Margem Equatorial acrescenta uma questão estratégica a esse debate. O desafio não se resume a produzir petróleo. É decidir como uma riqueza dessa dimensão poderá contribuir para a transição energética limpa, o desenvolvimento nacional, para a indústria, para a pesquisa científica e para a melhoria das condições de vida da população do Norte e do Nordeste, conciliando exploração responsável e proteção ambiental.


Em todos esses temas, a história de Lula oferece credenciais, mas não dispensa respostas. O passado pode explicar a confiança de parte do eleitorado, mas não substitui um programa para o futuro, programa que não poderá deixar de contemplar a centralidade do papel do Estado na liderança do desenvolvimento.


Na saúde, será preciso mostrar como consolidar e ampliar políticas públicas capazes de atender às necessidades da população. Na questão das mulheres, será necessário avançar não apenas em políticas específicas, mas na presença feminina nos centros de decisão do Estado e da economia. Na política industrial, o desafio será transformar crescimento em capacidade produtiva, inovação e empregos de qualidade.


O mesmo vale para a política externa. O Brasil terá de continuar diversificando relações, ampliando mercados e construindo parcerias que reduzam vulnerabilidades e aumentem sua margem de autonomia. Em um mundo marcado pela disputa entre grandes potências, soberania também significa não depender de uma única potência.



 
 
 

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