top of page

Economia circular como fator de combate à fome e pobreza

  • há 5 dias
  • 3 min de leitura

Atualizado: há 4 dias

Roícles M. Coelho


As tensões na geopolítica mundial e os gargalos estruturais no transporte marítimo resultam no aumento explosivo do preço do barril de petróleo e na disparada do preço dos fertilizantes que o Brasil importa em mais de 80% de sua demanda principalmente de países instáveis como Rússia, Irã e China. O que ficou mais agravado com a decisão da Rússia de suspender as exportação de fertilizantes temporariamente e da China de proibir os embarques desse insumo por tempo

indeterminado.


Esse cenário expõe a vulnerabilidade do agronegócio brasileiro por sua elevada dependência externa de agroquímicos. E explica porque a ONU já alertou para uma crise alimentar mundial, sem precedentes, no horizonte.


Antes da guerra no Irã, fretes e fertilizantes representavam, em geral, 50% do custo de produção nas culturas agrícolas. Agora a situação se tornou crítica porque o aumento no custo de produção ocorre justamente em momento de queda das cotações das commodities agrícolas e na previsão de estiagem severa nesse ano.


Por tudo isso se faz necessária a transição da agricultura química para sistemas agrícolas sustentáveis como forma de buscar a autossuficiência. Além disso, nesses sistemas as plantas cultivadas se tornam mais resilientes às alterações climáticas e menos atacadas por insetos. E se essa transição é um desafio para a agricultura de escala, empresarial, é uma oportunidade para as pequenas propriedades rurais pois resulta em menor custo de produção.Tais imóveis são predominantes na estrutura fundiária do Espírito Santo.


Esse contexto destaca a agroecologia que, além de substituir fertilizantes industriais por insumos locais, também reduz a demanda por irrigação, o que resulta em economia de energia. E quando os cultivos ocorrem em terrenos ociosos – urbanos e periurbanos – o resultado é um ganho logístico. E uma maior oferta de alimentos saudáveis nas periferias onde a disponibilidade de áreas para cultivo é muito maior que em bairros de classe média e alta.


Outro efeito colateral positivo da agricultura urbana é que contribui para melhoria da saúde ao propiciar maior consumo de frutas, verduras e legumes – comida de verdade, ao invés de produtos processados. E também se torna fator de geração de renda com a produção não consumida, elevando o padrão de vida em comunidades periféricas. Essa alternativa concorre para mudar o sistema de produção/distribuição que encarece a alimentação no Brasil pois quando se cultiva hortigranjeiros nas cidades a proximidade entre quem produz e quem consome permite dispensar a intermediação. E como o transporte dos alimentos se faz em pequenas distâncias, o consumo de combustível é minimizado.


É isso que se verifica no Projeto Barra Limpa, em Barra do Jucu, Vila Velha desde agosto de 2024 quando cultivos tiveram início utilizando composto orgânico em processo de economia circular que tem início com a coleta seletiva, passa pela compostagem e termina com a produção de alimentos mais nutritivos, porque cultivados em solo recuperado e mais saudáveis porque isentos de resíduos tóxicos.


Essa é uma forma de segurança alimentar sob uma agenda proativa pois se

apoia no voluntariado, como força de trabalho, e no resgate do pensamento coletivo

entre agentes públicos e privados.


O projeto é um convênio entre MP Publicidade e Instituto Movive visando se tornar referência em agricultura urbana para que possa ser replicado de norte a sul do estado.


Roícles M. Coelho é técnico agrícola e gestor de informações, comunicação e imagem

 
 
 

Comentários


bottom of page